quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Como funciona a mente solitária

                            Edu



SAÚDE TOTAL

CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA


                       COMO FUNCIONA A MENTE SOLITÁRIA

A solidão é tão devastadora que ela atinge uma ação inconsciente extremamente necessária para a vida humana: a empatia.

Diversos estudos têm mostrado que as pessoas solitárias têm uma resposta mais hostil às ações de outros, como o estudo da professora de Harvard, Jacqueline Olds. Ela diz que pessoas que são solitárias se revestem de uma casca protetora que nega a necessidade de companhia.

Outro estudo revela que as pessoas solitárias têm um nível tão reduzido de empatia, como dizemos no início da conversa que, muitas vezes, ficam alheias ao sofrimento de outras pessoas. Isso acontece porque a parte do cérebro ligada a empatia – temporoparietal – tem sua atividade reduzida.

Também, o córtex visual, que é a parte do cérebro que normalmente processa o estado de alerta, atenção e visão, é estimulado. Isso significa que as pessoas solitárias reagem rapidamente a algum estímulo, ou seja, agem mais pela vigilância que pela perspectiva.

Todavia, a solidão não é um estado individual. E já percebemos isso nos escritos que estamos desenvolvendo. Houve um estudo realizado no King´s College de Londres com 2 mil adolescentes de 18 anos em 2019. Os estudiosos pediram para que os participantes e seus irmãos, pudessem avaliar a cordialidade dos vizinhos. Os irmãos mais solitários consideraram a vizinhança menos cordial e menos confiável do que o irmão ou a irmã que sofriam menos de isolamento. Segundo o professor John Cacioppo, a solidão opera moldando o que as pessoas pensam e esperam umas das outras.

E se pensarmos em uma questão macro diante destes ditos, quantas mudanças sociais poderiam ser estabelecidas se a raiva, a hostilidade, a propensão para considerar o ambiente ameaçador, insensibilidade e empatia diminuída não fizessem parte do cérebro solitário de boa parte da população que habita neste planeta.

E sigamos pensando...

Um grande abraço para você!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Lupegoraro é destaque na exposição “Entre Mundos” na Galeria Lígia Testa


A artista visual Lupegoraro será um dos destaques da exposição coletiva “Entre Mundos”, que será aberta ao público em 10 de março, na Galeria Lígia Testa, em Campinas (SP). A mostra segue até 10 de abril de 2026 e reúne artistas cujas obras atravessam culturas, memórias e sensibilidades, propondo um campo de reflexão sobre travessias simbólicas, identitárias e contemporâneas. A curadoria é de Lígia Testa e Rosita Cavenaghi (Art A3 – São Paulo).

Pintora e escultora brasileira, a catarinense Lupegoraro vive e trabalha em João Pessoa, na Paraíba, onde desenvolve uma produção marcada pela liberdade criativa e pela fluidez das abstrações. Sua arte convida o espectador a refletir e a se encantar com a maneira singular de ver o mundo e comunicar-se por meio da beleza.

“Em todas as minhas criações sempre busco transmitir emoção, alegria e beleza, por meio de cores e formas, que na arte se tornam um meio de expressão do sentimento, aflorando os mais diversos sentidos da alma”, afirma a artista.

Com obras presentes em galerias e coleções particulares em diversos países, Lupegoraro construiu uma trajetória que dialoga com diferentes culturas. Seu interesse pelas artes surgiu ainda na infância, quando já demonstrava que a criação artística seria uma força determinante em sua vida. Estudou canto, violão e violino — instrumento pelo qual nutre especial paixão — além de desenho, escultura e pintura.

Sua produção pictórica se concentra na criatividade, na poesia e nas emoções. Entre o abstrato e o figurativo contemporâneo, suas obras revelam movimentos, luzes e tonalidades que evocam sentimentos intrínsecos ao ser humano. Mais do que representar formas e cores, seu trabalho propõe uma experiência sensorial e intelectual, transformando a arte em espaço de questionamento e reflexão.

Ao integrar a coletiva “Entre Mundos”, Lupegoraro reforça sua vocação para o diálogo entre diferentes dimensões simbólicas e culturais, ampliando o alcance de uma obra que já passou por exposições na Espanha, Portugal, Brasil, Itália, Inglaterra, Alemanha e França.

 


Serviço
Exposição: Entre Mundos
Artista participante: Lupegoraro
Período: 10 de março a 10 de abril de 2026
Vernissage: 10 de março de 2026, das 17h às 22h
Local: Galeria Lígia Testa
Endereço: Av. Dr. Heitor Penteado, 1611 – Taquaral, Campinas (SP)
Curadoria: Lígia Testa e Rosita Cavenaghi
Entrada: Livre



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A solidão é mortal

                                     Edu



SAÚDE TOTAL

CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA


                                        A SOLIDÃO É MORTAL

A solidão se manifesta no corpo, por isso é responsável por tantas mortes. Isso quer dizer que, muitas vezes, algumas enfermidades que aparecem nas pessoas são oriundas de um sentimento de solidão. Por quê?

Porque um corpo solitário quando vivencia o estresse, tem seus níveis de colesterol bem mais altos que de um corpo não solitário. Como também propicia o acúmulo desta substância no organismo, a amigdala sendo acionada, vai manter o indivíduo em estado de alerta por muito mais tempo. Isso leva a um aumento de leucócitos, da inflamação, que em momentos mais longos tem um resultado devastador. E não é novidade para ninguém: um corpo inflamado fica suscetível a muitas doenças.

Segundo Hertz (2020, p. 31) “o corpo também fica mais suscetível a doenças graves. Se é uma pessoa solitária, você tem um risco 29% maior de ter uma doença coronária, um risco 32% maior de sofrer um acidente vascular cerebral e um risco de 64% maior de desenvolver demência”. E tem mais: “se você se sente solitário ou socialmente isolado, tem quase 30% mais probabilidade de morrer de forma prematura do que se não se sentisse assim”.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, acompanhou estudantes de medicina durante dezessete anos. O que eles descobriram? Que os alunos que tiveram uma infância isolada, por causa de pais emocionalmente distantes, mostraram mais propensão para desenvolver vários tipos de câncer mais tarde na vida.

E um outro estudo realizado em 2010, teve como alvo pessoas que haviam vivenciado um momento específico de solidão, como morte de um parceiro ou mudança para um outro lugar. Foi assustador para os pesquisadores constatarem que mesmo esta solidão sendo sentida apenas por um período determinado - 2 anos ou menos que isso -  a expectativa de vida das pessoas envolvidas diminuiu.

O que tudo isso quer dizer para você?

E sigamos pensando...

Um grande abraço para você!

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Os caminhos da solidão

                                



SAÚDE TOTAL

CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA


                               OS CAMINHOS DA SOLIDÃO

É lógico que não chegamos no patamar em que nos encontramos, no que diz respeito a epidemia de solidão, de uma hora para outra. Muitas coisas aconteceram que, somadas, nos levam a estatísticas não tanto agradáveis de se ler.

Um estudo feito no Reino Unido em 2019 revelou que a discriminação racial, étnica e xenófoba no trabalho e/ou na vizinhança muito contribuem para o sentimento de solidão. Por mais incrível que possa parecer, hoje em 2026, vemos tais situações se repetirem diante de nossos olhos.

Não podemos esquecer da migração em larga escala para as grandes cidades, mudando nossa forma de viver, principalmente forçando o local de trabalho a se reorganizar.

Acresce que o trabalho, pelo menos alguns, cada vez mais informatizado, tem propiciado que a conexão entre as pessoas seja cada vez mais escassa. Tudo pode ser comprado ou resolvido pelo computador ou celular. Até cultos em igrejas podem ser vistos online. Sem falar em reuniões ou encontros entre amigos e familiares que o aplicativo zoom pode resolver muito bem. As pesquisas revelam que diante desse cenário, temos nos tocado menos e feito menos sexo.

Olhando para trás percebemos que sobrevivemos a uma pandemia do Covid 19, e não é necessário gastar linhas dizendo que esta foi responsável por muito do que estamos vivendo, em muitos sentidos, sobretudo a solidão.

Mas antes disso, nos idos de 1980 uma forma de governo bem cruel para a conectividade entre os humanos foi instaurada: o neoliberalismo. A ideologia por trás do neoliberalismo dá ênfase a livre escolha, livre mercado, liberdade. Cria uma ideia de que somos autossuficientes e dá destaque a uma mentalidade competitiva que coloca o interesse pessoal e esmaga o interesse coletivo. E por que foi tão difundido? Tão aceito? Porque aumentou a renda e a riqueza em muitos países. Evidentemente que quem ganhou já eram os grandes empresários. Ganharam de um lado, perderam de outro. Na verdade, nesta matemática, todos nós estamos perdendo muito.

(Na próxima conversa continuaremos o assunto). 

Um grande abraço para você!

Como funciona a mente solitária

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