terça-feira, 9 de junho de 2026

Rotulação da emoção

                                   Edu



SAÚDE TOTAL

CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA


                                                ROTULAÇÃO DA EMOÇÃO

Marc Brackett, fazendo uma palestra para empresários em uma vinícola em Napa Valley (EUA), perguntou a eles o que estavam sentindo. A resposta foi bem óbvia, totalmente esperada pelo pesquisador: “curioso”, “intrigado”, “bem”, “bom”, e assim por diante.

É claro que ele tinha uma intenção em sua pergunta e, assim, resolveu mudar a abordagem para dar a eles um ensinamento: “Como vocês descrevem os vinhos tintos que estão representando?” (BRACKETT, 2021, p. 115).

Segundo Brackett, de analfabetos emocionais, eles se tornaram verdadeiros poetas. Parece risível, mas é intrigante. O experimento do doutor Marc mostrou o quanto temos dificuldade em nomear nossas emoções. Talvez porque não mensuramos o valor deste ato em nossa vida.

Nomear uma emoção ajuda a regula-la, ou seja, você consegue ter um pouco mais de controle sobre ela, porque a nomeação nos permite entrar em contato com a emoção, logo somos capazes de domesticá-la, pelo menos minimizar seus efeitos.

E por que temos tanta dificuldade em nomear nossa emoções? Porque nosso vocabulário emocional é como um adolescente, quase mudo, bastante insuficiente. Resposta como bem, bom, triste, não significam que as estamos nomeando e, além disso, pode nos privar de viver uma experiência extremamente saudável e significativa.

Sendo assim, precisamos descrevê-las como quando falamos de uma roupa que gostamos muito.

Na próxima conversa psicanalítica iremos descrever os benefícios de rotular as emoções para termos uma vida melhor.

Que sigamos pensando... 

terça-feira, 2 de junho de 2026

A vergonha

                                   Edu



SAÚDE TOTAL

CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA


                                                A VERGONHA

A bem da verdade, a vergonha é um dos sentimentos mais presentes em nossas vidas e que nos proporciona uma profundidade de reflexão ora nunca pensada.

Além de ser um limitador, pois quando sentimos vergonha, esta emoção se torna dolorosa, pois nos atinge de maneira global; pode ser um regulador social, por impedir que ajamos de maneiras não muito ortodoxas.

Acontece que, se formos pegos realizando alguma atividade ilícita, a vergonha se manifestará e não teremos como fugir dos resultados, mas também podemos prever o resultado final de algum contexto e nos preparar para uma possível vergonha que possa acontecer. Nesse caso, o enfrentar torna-se menos problemático.

A origem da palavra Vergonha está ligada a reverência, a respeitar, pois vem do latim verecundia. Tal conhecimento já nos dá o entendimento que este sentimento transfigura: é uma emoção que tem relação com dois ou mais sujeitos.

Mas se formos pensar mais argutamente, entenderemos que o que nos faz sentir vergonha é o temor da desconexão. Como a vergonha está relacionado a atos, ações que realizamos, tais fatos revelam quem nós somos, doando-nos o medo da possível avaliação que a pessoa ou as pessoas terão da gente.

Isso tudo acontece porque ao nos relacionarmos, nós criamos expectativas em relação às pessoas e vice-versa. A angústia de não se encontrar a altura dessas expectativas faz com que sintamos vergonha, por medo da frustração nos levar a perder uma conexão.

Mas mesmo diante de tudo isso, não podemos perder de vista que, a vergonha é uma das emoções mais capazes de nos levar a autoconsciência, por isso ela é muito sofisticada. Como já relatamos acima, ela nos faz pensar em nossos atos, desta forma, nos incita a pensar sobre eles, nos levando ou não a mudança de comportamento, porque para sentir vergonha, “é necessário que haja uma reflexão sobre si mesmo e sobre o outro simultaneamente” (BILENKY, 2016, p. 25).

Que sigamos pensando... 

Um grande abraço para você!

terça-feira, 12 de maio de 2026

O valor da conexão

                                    Edu



SAÚDE TOTAL

CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA


                             O VALOR DA CONEXÃO

Todos apreciamos uma boa companhia. Não tem como negar. Para você ter uma ideia, foram necessários apenas 34 minutos para que os ingressos de um antigo festival de música no Reino Unido fossem esgotados. Um festival, que digamos de passagem, é totalmente desprovido de glamour.

Outras aglomerações artísticas como Rock in Rio chegam a comportar mais de 700 mil pessoas. Aconteceu um show da Adele que estiveram presentes 150 mil pessoas. E o local nem comportava tantas. O que há em comum nestas apresentações? O desejo de estarmos juntos com nossos pares.

Foi feito um levantamento no Reino Unido e, em 2017, 3,76 milhões de pessoas fizeram aulas de ginástica, ioga ou zumba. A conclusão de um pesquisador da Harvard Divinity School Casper ter Kuile, mostra que esses comportamentos ritualísticos têm acontecido muito por causa da necessidade de conexão. As pessoas não querem apenas se exercitar, perder peso. Na verdade é o senso de comunidade que as fazem estar nesses projetos.

“Estudos demonstram que quando as pessoas se exercitam juntas presencialmente, seu corpo libera mais endorfina e elas se sentem mais calmas depois do treino do que quando se exercitam sozinhas” (HERTZ, 2021, p. 256).

A necessidade de conexão é tão forte em nós que, mesmo diante de uma pandemia, com muitas mortes ocorrendo a cada dia, muitos se aventuravam a sair, conversar, comprar coisas. O desejo de conexão valia os riscos.

Estar em lugares com outras pessoas é muito salutar, todavia, a qualidade das relações pode ser ainda mais relevante para que tenhamos uma existência mais significativa. E isso tem muito a ver com a avaliação de cada um, diante dos valores que porta.

Que sigamos pensando... 

Um grande abraço para você!

Rotulação da emoção

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